Guia técnico · Condutor profissional

Tacógrafo digital · gerações, diferenças e calendário UE

O que é o tacógrafo digital, como distinguir entre Gen1, Gen2 v1 e Smart Tachograph 2 (Gen2 v2), o que muda para si como condutor em cada geração e quais são os prazos europeus que realmente afetam o seu veículo.

O que é e para que serve

O tacógrafo digital é o diário de bordo obrigatório do transporte rodoviário moderno: regista sem parar o que tu e o veículo fazem, dia e noite, e ninguém pode modificar os dados sem deixar rasto.

O que regista

O teu cartão de condutor guarda tipos de atividade (condução / outros trabalhos / disponibilidade / descanso), inícios e fins de jornada, eventos, falhas e infrações, e a partir do Gen2 também a posição GNSS do veículo a cada 3 horas e no início/fim de cada período de trabalho.

Para que serve

É a prova oficial do cumprimento do Regulamento (CE) 561/2006 (tempos de condução e descanso) e da Diretiva 2002/15/CE (tempo de trabalho). Serve para inspeções na estrada, controlos empresariais, defesa face a sanções e, do lado do trabalhador, para comprovar a jornada real perante a empresa ou um tribunal.

Quem está obrigado a tê-lo

Veículos de transporte de mercadorias por estrada com mais de 3,5 t de MMA (incluído reboque) e veículos de transporte de passageiros com mais de 9 lugares (incluído o condutor), salvo as exceções tipificadas no art. 3.º do Regulamento 561/2006.

Quem vê os dados

O condutor (através do seu cartão), a empresa (através do cartão de empresa), as oficinas autorizadas, as forças de inspeção (estrada ou sede) e, quando aplicável, juízes e tribunais. Os dados do veículo conservam-se pelo menos 365 dias no aparelho e 12 meses pela empresa.

As três gerações operativas hoje

Embora o aparelho se chame sempre "tacógrafo digital", em circulação coexistem três famílias tecnicamente muito distintas. Saber qual tem instalado é o primeiro passo para perceber o que lhe é exigido.

Característica Gen1 (2006) Gen2 v1 (jun 2019) Gen2 v2 · Smart Tacho 2 (ago 2023)
Ano de introdução 2006 (Reg. CEE 3821/85 mod.) 15 junho 2019 (Reg. UE 2016/799) 21 agosto 2023 (Reg. UE 2021/1228)
GNSS (posição) Não Sim — a cada 3 h Sim — com OSNMA anti-spoofing
DSRC (inspeção remota) Não Sim — 5,8 GHz Sim, melhorado
Assinatura criptográfica RSA ECC (curva elíptica) ECC + OSNMA em GNSS
Cruzamentos de fronteira Manual Manual (introduzido pelo condutor) Automático por GNSS
Carga / descarga Não regista Não regista Sim — registo automático
Interface ITS / Bluetooth Não Opcional Sim, padrão
Compatibilidade cartão Cartão Gen1 ou Gen2 Cartão Gen1 ou Gen2 Cartão Gen1 ou Gen2 (preferível Gen2)
O que o condutor vê no ecrã Resumo básico, alertas simples Mais detalhe, GNSS visível Avisos enriquecidos, mensagens de carga/descarga, posição precisa

O que muda para si como condutor (Smart Tacho 2)

O salto importante dos últimos anos é o Smart Tachograph 2. Estas são as alterações reais que vai notar todos os dias.

Cruzamentos de fronteira automáticos

Quando atravessa uma fronteira interior UE, o tacógrafo regista-o sozinho a partir da posição GNSS. Antes tinha de premir o botão manualmente ao cruzar — agora acabou essa fonte típica de erro e infração.

Marcar carga e descarga

O Smart Tacho 2 regista os eventos de carga e descarga (com a sua confirmação). É relevante para tempos de trabalho do pacote de mobilidade e para comprovar onde foi gerada cada atividade.

Posição mais fiável

Com o OSNMA, os dados GNSS resistem a ataques de spoofing (engano de sinal). É relevante em zonas conflituosas ou perto de fronteiras: a sua posição fica autenticada e não pode ser manipulada com um dispositivo barato.

Mensagens no ecrã mais úteis

Avisos enriquecidos sobre tempos de condução, descansos pendentes e eventos. Reduz o risco de exceder o tempo por não dar conta de um aviso.

Importante para o condutor: embora os cruzamentos de fronteira sejam agora registados automaticamente, continua a ser da sua responsabilidade introduzir o código de país no início e no fim de jornada quando aplicável, e verificar que a posição e a hora do tacógrafo estão corretas. O aparelho facilita, não o isenta.

Calendário europeu (o que realmente afeta hoje)

O pacote de mobilidade fixou um plano de transição para o Smart Tacho 2 que já está em marcha. Se faz transporte internacional, estes prazos têm impacto direto em si.

15 jun 2019

Smart Tachograph 1 (Gen2 v1) obrigatório em veículos novos

Desde esta data todos os veículos matriculados como novos na UE têm no mínimo Gen2 v1. Os anteriores continuam com Gen1 até serem substituídos.

21 ago 2023

Smart Tachograph 2 (Gen2 v2) obrigatório em veículos novos

Os veículos matriculados como novos a partir desta data têm Smart Tacho 2 de fábrica. Esta é a geração com cruzamentos de fronteira automáticos, OSNMA e carga/descarga.

31 dez 2024

Retrofit de Gen1 → Smart Tacho 2 em transporte internacional

Todos os veículos com tacógrafo Gen1 que façam operações internacionais na UE tiveram de ser reequipados com Smart Tacho 2 antes desta data. Se circula com Gen1 fora do seu país, expõe-se a sanções graves.

18 ago 2025

Retrofit de Gen2 v1 → Smart Tacho 2 em transporte internacional

Veículos com Smart Tacho 1 (Gen2 v1) utilizados em transporte internacional têm de atualizar para Smart Tacho 2 antes desta data. A partir desse momento, só o Smart Tacho 2 é legal em operações internacionais.

1 jul 2026

Extensão do âmbito a veículos > 2,5 t em transporte internacional

O Regulamento 561/2006 — e, por extensão, a obrigatoriedade de tacógrafo — estende-se a veículos de transporte internacional de mercadorias entre 2,5 e 3,5 t de MMA. Carrinhas grandes que hoje ficam de fora entram no sistema.

📌 Transporte nacional: os prazos de retrofit são específicos do transporte internacional. Em tráfego exclusivamente nacional pode continuar a circular com Gen1 ou Gen2 v1 enquanto o aparelho estiver operativo, mas lembre-se de que os novos serão sempre Smart Tacho 2 e que a sua empresa pode exigir a mudança antes por política própria.

Como saber que tacógrafo tem

Veja o cabeçote

Na frente do tacógrafo aparece a marca (VDO/Continental, Stoneridge, Actia, Intellic) e o modelo. Na Continental, por exemplo, o DTCO 1381 Rel.4.0 e posteriores são Smart Tacho 1 ou 2; o Rel.3.0 é Gen1. Na Stoneridge, o SE5000-8 ou superior são Smart Tacho 2.

Peça na oficina homologada

Qualquer oficina acreditada para tacógrafos pode dizer-lhe ao olhar para o certificado de calibração (etiqueta amarela colada na lateral do cabeçote ou atrás da porta do condutor). É informação obrigatória.

Leia o cartão com o Driver Tacho

O Driver Tacho identifica automaticamente a geração do tacógrafo a partir dos registos do cartão de condutor. Leia o cartão e veja o bloco "Dados extraídos": aí vê a assinatura criptográfica do aparelho (Gen1 = RSA · Gen2 = ECC) e os campos específicos do Smart Tacho 2 quando os houver.

Abrir Driver Tacho

Consulte a ficha técnica do veículo

No livrete e na ficha técnica consta o tacógrafo homologado. Se a sua empresa lhe facultar a documentação do veículo, está lá oficialmente.

Perguntas frequentes

O meu cartão de condutor serve igualmente em Gen1 e em Smart Tacho 2?

Sim, o cartão é compatível com todas as gerações operativas. A diferença é a quantidade e qualidade de dados registados: um cartão usado apenas em Gen1 nunca terá posição GNSS detalhada nem cruzamentos de fronteira automáticos.

Quanto tempo conserva os dados o tacógrafo e o meu cartão?

O cabeçote do veículo conserva pelo menos 365 dias de atividade. O seu cartão de condutor conserva 28 dias de atividade em rotação (os dias mais antigos são sobrescritos). A empresa tem obrigação de conservar os dados descarregados pelo menos 12 meses.

Tenho de descarregar eu mesmo os dados do meu cartão?

A obrigação legal de descarga é da empresa (a cada 28 dias o cartão do condutor e a cada 90 dias o do veículo). O condutor não está obrigado a descarregar, mas tem direito a cópia dos seus próprios dados e convém conservá-los: servem-lhe de defesa face a qualquer divergência com a empresa ou uma inspeção. O Driver Tacho permite-lhe fazê-lo gratuitamente em menos de 2 minutos.

O que acontece se circular com um Gen1 em transporte internacional depois dos prazos?

A infração é muito grave na maioria dos Estados-Membros, com coimas que podem ultrapassar os 2.000 € por veículo e, em alguns países, imobilização. Verifique a geração do seu veículo o quanto antes e, se a empresa não a tiver reequipado, ponha a questão por escrito antes de fazer a próxima rota internacional.

O tacógrafo pode sancionar-me por si só?

Não. O tacógrafo regista, não sanciona. A infração é levantada pelas forças de controlo (GNR, Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, ACT, ou em Espanha Guardia Civil e ITSS — direito espanhol) quando comprovam os dados. Mas os dados estão lá — e são praticamente irrefutáveis. Por isso convém revê-los periodicamente com o Driver Tacho e preparar-se se detetar algo estranho.

O Smart Tacho 2 envia dados às autoridades ou à empresa em tempo real?

Não. Os dados GNSS e de atividade são armazenados localmente. O DSRC (a antena a 5,8 GHz) só é ativado quando uma unidade de controlo na estrada o "interroga" para pré-detetar manipulações — não é uma ligação permanente. Salvo se a sua empresa tiver sistemas de frota próprios com transmissão telemática, os dados ficam no aparelho até à próxima descarga.

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